quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O jogo

Ele vê decisões como peças complexas de um jogo de montar que não tem fim. Nesse jogo, sua vida leva e é levada e todos os jogadores vão e vem, para baixo e para cima, atrás, em suas memórias, à frente, em seus sonhos. Sem nenhum controle.

Algumas vezes os doces momentos se tornam memórias amargas dentro dele, as vezes lágrimas lavam as dores e as empurram e as espremem e as rasgam e as dilaceram e as queimam e as cortam dentro dele, que grita calado.

A sua falta faz e o fará cair, no infinito duas vezes vazio e sem fim de sí.

O nó cego amarrado em sua garganta o fez engasgar e o fará soluçar e sufocar e suas pernas outrora fortes, serão fantasmas anônimas. Serão perseguidoras de sonhos mortos, serão caminhantes do nada, que continuam pela inércia de existir, que existem por continuar, movimento é vida e para ele o sentido disso tudo é a razão de todas as perguntas, mas e a resposta? Está no sentido? Está em si mesmo?

As lembranças são momentos de um doce passado que amargou e virou veneno. Traiçoeira, a memória as empurra peito adentro. Sutis, os sonhos espelham o pensamento e espalham o veneno, de cima à baixo, de trás à frente, sem controle.

Mesmo assim ele tem sonhos que o fazem lembrar e sorrir, mesmo que isso envenene sua alma, mesmo que cause dor e traga o desespero, ele sonha e com a dor sorri, porque se nega a continuar apenas por ser e se nega a ser apenas por continuar, ele bebe, aos poucos e em pequenos e amargos goles, o veneno que o mata e o faz sentir vivo.

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