segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A insignificância de cada um


Cada um de nós é completamente insignificante. Cada desejo que você tem é insignificante, cada sonho que te move, cada decepção que abala toda a sua vida, cada angústia que te desespera mortalmente, cada vitória e cada perda, por maior que seja, é completamente insignificante. Não pretendo fazer um ode ao desânimo, mas sim gritar a plenos pulmões como um galo empertigado num poleiro, nem que isso só sirva para acordar o vizinho.*
Você é a merda do mundo que faz tudo para chamar a atenção
Você é a merda do mundo que faz tudo para chamar a atenção
Sou um entre sete bilhões de pessoas, apenas uma espécie entre milhares de outras, dentro de um continente, num planeta, num sistema solar, numa galáxia entre uma real infinidade de outras.

Caso fosse possível unir em um lugar, exatamente a mesma quantidade de pessoas do que a de um objeto qualquer, como por exemplo, grãos de milho. Imagine então leitor, entre sete bilhões de grãos de milho amarelos um que seja vermelho, seria possível vê-lo? Os mais céticos diriam que sim caso ele estivesse em algum lugar significativo, POR CIMA DOS OUTROS, POR EXEMPLO. Imaginemos então, segundo o mais cético, que fosse possível ver o grão que é vermelho, agora, vendo ele responda. Qual seria a diferença que ele faria? Mesmo que destacando-se enormemente dos outros, qual a diferença que aquele grão vermelho, sozinho, tem?
Consegue se enxergar agora?
Consegue se enxergar agora?

Como raça acreditamos ser superiores a toda outra forma de vida. Somos especiais, apenas por pertencer a esta espécie que tem grande capacidade de aprendizado e adaptação, possui criatividade, auto-reflexão e um polegar opositor. São características inegavelmente úteis. Quanto a isso é dever perguntar, o que fizemos com tudo isso? Onde chegamos? Nossa contribuição, como seres “mais evoluídos” aos “menos evoluídos” e para o lugar em que existimos é responsável?
Como vai sua responsabilidade por ser mais adaptado ?
Como vai sua responsabilidade por ser mais adaptado ?

Nos esquecemos da nossa insignificância, o que é totalmente compreensível uma vez que vivemos o tempo todo incentivados pelo sonho de ser especial, pela vontade de se destacar, de ser mais, de alcançar uma posição de destaque, frente aos outros e no meio em que vivemos e os de nós que não estão sujeitos a essa “força” são tão miseráveis que só o que importa é sobreviver. No final, a nossa melhor virtude decorre de uma miséria supérflua e evitável* ou não somos os causadores de toda a miséria? Somos homens buscando a sobrevivência, o abrigo e a evolução? Não! Então o que somos? Somos consumidores*. É certo que algumas pessoas possuem objetivos que fogem à regra, mas afinal, qual a diferença de alguns milhos vermelhos?

Todos nós somos manipulados em algum nível, porque nascemos e crescemos metralhados por verdades, opiniões, imperativos e conceitos extremamente bem trabalhados para que nos atinjam o mais profunda e imperceptivelmente possível. Se tanto o passado como o mundo externo só existem na mente e a mente em si é controlável…então?*

Os poucos leitores que chegaram a essa altura do texto podem estar se perguntando. Se abolir todos os meus sonhos, se sou completamente insignificante, se nada do que eu faço, sinto ou sofro faz a menor diferença, então para que continuar?

É necessário que tenhamos consciência de que somos completamente insignificantes, mas constantemente pensamos o contrário, seja frente ao universo, frente a outras espécies ou frente a nosso semelhante. É vital compreender que nossa vida não significa absolutamente nada, que é completamente dispensável e sem importância. Para que? Para que possamos entender que não é um milho que faz a diferença, mas todos eles como um.

O seu sonho não faz diferença. Quando percebermos fundamentalmente que nossas vontades são irrelevantes, poderemos nos deixar guiar. Quando acreditarmos que não somos especiais e que nossos sonhos não significam nada poderemos entender do que fazemos parte por deixar de olhar só para nós mesmos e se permitir fazer parte de algo. Quando entendermos que se nossas frustrações forem irrelevantes para nós elas simplesmente deixarão de existir, então viveremos como um, então, a crise irá por água abaixo, então o sofrimento terá fim. Quando percebermos que um rio flui por nós e que não somos o rio, nem a água, então encontraremos o que procuramos de forma definitiva e não passageira. De fato há na eternidade algo verdadeiro e sublime, porém todos esses tempos, lugares e ocasiões estão aqui e agora.*

O que busco é um despertar guiado pela razão, que pode nos levar a uma gama de despertares muito mais ampla. O que pretendi, incauto leitor, não foi atingir sua vida, mas o teu âmago, o que busco não é politico, não é econômico, não é religioso, nem social, o que busco é a tua consciência, pois essa é a verdadeira crise que nos atinge hoje em dia, acima de todas as outras. Vamos aceitar que querendo ou não estamos sendo levados e vamos viver com esse que é o maior prazer, mais forte tesão, porque nada do que pensamos ou amamos faz diferença então vamos nos deixar levar a ser parte de algo e não o contrário.

Por fim peço que não acredite em mim, pois estamos juntos examinando, avaliando, contestando, nunca aceitando o que nos falam, nunca. Estamos juntos caminhando na mesma rua. Duvide, questione não aceite nada de ninguém. Podemos fazer isso juntos, não seguindo alguém, que invariavelmente tem seus próprios interesses. Não aceite Deus, o orador não é Deus, então não o aceite, o encontre.*
A luz que ofusca nossos olhos é escuridão para nós. Só amanhece o dia para o qual estamos acordados. Mais um dia está por raiar. O sol não passa de uma estrela matutina.

Mas por favor, não concordem comigo!

*Todas as frases com asterisco não são minhas, porque tudo o que penso sozinho é completamente insignificante.

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