Que prazer não há em dividir, com bem-queridos, o privilégio de momentos em frente ao mar?
Qual alegria sabe fugir disso? Ela se sente incontrolavelmente cativada pelos risos, gracejos, jogos, sonecas, canções, filmes e aventuras. Como poderia ser diferente? É impossível para ela escapar disso tudo impassível. Ao primeiro riso é atraída e depois da primeira soneca senta-se entre todos e joga conosco os jogos de carta que são regados daquele e deste lado por copos brincalhões, os mesmos que mais no fim da noite se suicidam em mergulhos fatais, voando de cima de mesas, criados mudos, parapeitos e outros cantos.
Já cativada, a musa da alegria se acomoda e não há tempo feio que abale essa valente inspiradora da boa vida.
Euterpe, a musa grega da alegria, da música, do lirismo e do prazerToda conversa engrandece, cada pensamento aumenta, todo pão é dividido, cada doce também, cada dia é mais vivido, braçada a braçada, de frente ao mar.
O passeio mais gostoso é até a sala, numa transferência de ambiente, o que logicamente, pede outra música, outra comida - daquelas mais gostosas, que só se come antes e depois de comer - outra conversa e principalmente uma nova disposição, completamente adversa, de seus membros, até a musa, que antes só alegria, agora divide espaço com o amor, a esperança, o sonho, a paixão e logo mais chega a saudade, deusa brasileira que só tem nome em português, ela vem sorrateira, enquanto carregamos o carro e partimos.
No final, fomos nós o Sol.

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