segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Sobre Homens


“Nós somos uma geração de homens criados por mulheres. Será que outra mulher é realmente a resposta que precisamos?” - Tyler Durden. em Clube da luta.

A nossa geração foi criada, educada civil e religiosamente por mulheres. Tomo por nossa, toda a geração de homens que veio depois da revolução industrial e deu origem a homens fracos emocionalmente, carentes e com uma ótica perturbada sobre as mulheres e muitos outros valores.

Nós nascemos em uma época em que o Homem foi obrigado a sair de casa por oito, dez, doze horas para sustentar sua família, enquanto isso, o lar que era até então um santuário da família ficou totalmente entregue às mulheres.

O ideal que todo mundo comprou
O ideal que todo mundo comprou

O homem de outrora, rei do lar, homem de sua mulher, artesão heroico, teve que deixar sua família para ter um emprego. Os homens já não tinham mais um ofício, não exerciam uma função complexa, repleta de detalhes e manhas que eram passadas secretamente de geração em geração, isso acabou e deu lugar a produção em massa.

Perdemos muito mais do que o prazer por nossas profissões. Sim, por mais que você “ame” o que faz, faz com a condição de que te paguem e se te pagam essa é uma forma de dizer “sei que estar aqui não é o que você mais quer, mas toma essa grana pra você pagar suas contas e quem sabe comprar uma coisa ou outra enquanto vende sua vida pra mim.” Lá dentro, caro leitor(a) você sabe que isso é verdade e não preciso me justificar. Afinal são raros os escritores, os escultores, os marceneiros, os músicos ou qualquer outro tipo de “artesão” que nunca tenha sucumbido por dinheiro. Que banda sobrevive só de fazer o som que gosta? Que escritor só escreve aquilo que deixa ele com tesão? Que marceneiro só se empenha em fazer a cadeira que ele acha linda, que pintor não é pressionado por prazos? Sinto muito, mas isso não existe. Você, eu e praticamente todos que conhecemos não passam de putinhas, muitas vezes baratas ainda por cima. Por isso chega de culpar essas moças que vendem o corpo, não estamos assim tão longe delas.

Nós perdemos os nossos Homens. Eles foram criados por mulheres, por mães e avós, no refúgio feminino do sujo mundo político-indústrial dos homens. Nos esforçamos e insistimos tanto nesse ideal romântico sem sentido que, após as mulheres começarem a ter voz ativa e o divórcio não ser mais considerado crime, ele explodiu, assim como os lares “monoparentais” nos quais, em sua gigante maioria, o único parente presente é a mãe.
Fomos educados pelas “tias” da escola, que com o passar do tempo ultrapassaram numericamente, o “mestre” que hoje, no nosso ensino fundamental (aquele que forma fundamentalmente) é cada vez mais raro.

As mulheres ensinaram a nós até a religião. É um fato histórico que mulheres sempre foram mais afeitas a religiosidade do que os homens. Bom, vejamos Jesus (uma vez que somos uma nação Católica). Ele era um marceneiro, do oriente médio, que resistiu bravamente aos líderes religiosos e políticos da época, assim como à castigos físicos brutais. O Homem foi blasfemado, crucificado, espancado, chicoteado, condenado e mesmo assim manteve, o tempo todo, a dignidade intacta. A imagem que temos hoje dele é de um ser delicado, belo, penteado, de mãos lisas, roupas limpas e carinha de dó.

Esse parece ser o cara que afrontou o mundo e depois foi chicoteado e crucificado ?

Esse parece ser o cara que afrontou o mundo e depois foi chicoteado e crucificado ?



O resultado disso tudo? Homens cada vez mais perdidos e carentes emocionalmente, afeminados, que passaram a ter uma vida voltada a agradar desesperadamente às mulheres a sua volta em busca de reconhecimento, aprovação e acolhimento, sem saber como e pior, se esquecendo do que é realmente ser homem. Passaram a não se importar em se destacar das maneiras mais fúteis possíveis. Dai surgiram homens andrógenos, alucinados por moda, por um corpo perfeito, mesmo que seja inútil, por um cabelo impecável, por um tênis ou por uma calça que modela seu corpo, por ser dono de um carro fodão, mesmo sem saber trocar o óleo. Resumindo, por uma imagem bem sucedida mesmo que sem conteúdo.

Deixamos de lado os nossos talentos, não queremos mais nos aperfeiçoar por nós mesmos, nós queremos impressionar, queremos ser os comedores e tratamos as mulheres como objetos, não as reconhecendo como “objetos” úteis e maravilhosos, mas como algo que serve para mostrar a nossa superioridade, quando na verdade estamos acuados e desesperados por atenção e aprovação, perdidos de nós mesmos. Abandonamos o respeito por nós, pelas mulheres, pela nossa casa, pela nossa família e pela natureza do nosso mundo. Abandonamos nossa virilidade, o que para os homens é tão importante quanto é a feminilidade para as mulheres.

Podem dizer o que quiserem sobre o feminismo. Sempre admirei a coragem e a força das mulheres do nosso século, principalmente quando passaram a lutar para ter mais expressividade na sociedade e ir além do papel de solitárias do lar. O que reivindico aqui não vai contra as mulheres, mas contra os homens que estamos nos tornando, contra os homens que criamos e que cada vez mais serão responsáveis pelo nosso mundo. O que queremos? Sacrificar nossas vidas em busca de um ideal de vida criado para ser consumido, seguido e nunca atingido ou dedicar nossas vidas a nós e às pessoas que amamos? Criar nossos filhos e filhas como homens de verdade ou sermos observadores passivos do caminho por onde o mundo vai? O que vamos fazer, seguir por essa enorme zona fictícia de conforto ou ter bolas para olhar do lado e tomar uma atitude digna? Pensemos para existir como pessoas e não idiotas bundões.

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