São muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, o tempo não para - como diz o grande poeta - nem parece perdoar. Enquanto isso o mundo gira, numa velocidade vertiginosamente assustadora. Tanto que para se manter em pé temos que nos segurar em um apoio que nos ajuda a descansar entre uma prova e outra. Para um dia chegar lá, naquele lugar que poucos sabem como é, mas parece ser tão incrível que absolutamente todos querem ir.
Assim fazemos sacrifícios diários, onde perdemos e ganhamos pessoas, momentos e coisas, não ganhamos totalmente o que queremos e o sacrifício que fazemos é sempre titânico, mas corremos…
Corremos todos ao mesmo tempo, juntos para o mesmo objetivo, chegar lá. Corremos de olhos vendados, cegos, nos julgando os grandes visionários. Queremos chegar ao mesmo lugar, mas somos incapazes de olhar para o lado, por isso nos trombamos, batemos, machucamos, nos matamos e destruímos tudo a nossa volta.
Em tudo isso o que é mais paradoxal é o fato de nos apoiarmos uns nos outros, filhos nas mães, maridos nas mulheres, esposas em seus companheiros, amigos e amigas, irmãos. Usamos de apoio os que correm próximos de nós - lembrem-se corremos para chegar lá - e consequentemente trombamos, batemos e machucamos com mais frequência as mesmas pessoas. Nesse desvario incessante dos homens, somos um exemplar genuíno à deriva do que pode vir a acontecer.
Tão cegos que alguns se perdem do objetivo de chegar lá e simplesmente correm, não por correr, não por não parar, não por sentir, querer ou aproveitar a estrada. Alguns simplesmente correm, cegos, esquecendo-se de tudo e mecanicamente acordam, vivem e dormem, esquecidos num canto qualquer de si mesmos, esquecem-se que vêm, esquecem-se do que vem, esquecem-se de quem vem. Mergulham num profundo e escuro oceano, de águas eternamente paradas e incomodamente frias onde ficam submersos na maior escuridão que existe.
Mas - sempre tem um “mas” - ainda há ela, que nunca acaba a corrida e motiva qualquer um que já ouviu seu nome, eterna corredora visionária, insiste em se apresentar depois de todos, da maneira mais singela possível, como um abraço, como um sorriso, como uma doação e vive em qualquer boa ação. Guerreira invencível em campos de batalha, ja foi a unica comida de muitos, a unica arma dos melhores soldados, a única companheira de mães que tem seu maior bem desaparecido, já levou a humanidade a feitos inacreditáveis e já te fez levantar bem de manhã depois da pior das noites. Esperança.
Com ela digo, apaga a cegueira, desamarra a venda, olha para fora de sí, olha o caos em que corremos, olha também que mais alguns enxergam, olha que pode andar vendo e chegar antes de quem corre vendado, olha que é dono das pernas que correm, dos olhos que vêm, do coração que sente, dos lábios que rogam.
Olha para realmente saber onde quer ir e mais, por onde quer ir. Aproveita quando vê, que vê e o que vê.
Olha para realmente saber onde quer ir e mais, por onde quer ir. Aproveita quando vê, que vê e o que vê.
Desvende-se nesse século maluco.
Demais demais! "Olha para realmente saber onde quer ir e mais, por onde quer ir. Aproveita quando vê, que vê e o que vê." Brutal....
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